Só pra constar.
Na minha rua, Pereira da Silva - Laranjeiras, há algumas casas antigas. Meses atrás, começou a construção de um prédio de dois andares, entre duas casas. Ontem, reparei que há uma enorme placa cobrindo toda a paisagem da casa ao lado deste prédio. Essa casa já está completamente desgastada, velha, não tem mais condições e nem tinha moradores, faz tempo. Pois bem, onde eu quero chegar é: na placa enorme, está escrito assim, em letras bem grandes:
"A História do Rio ganha a sua."
Que? - pensa o morador da rua, como eu - o Rio ganha a minha história na medida em que vem alguma construtora, compra o terreno de uma casa super antiga para construir um prédio? O que que eu tenho a ver com isso? e mais: o que isso tem a ver com a história da rua, se esta está sendo demolida sem pestanejo?
Tem cada coisa que nego manda, que não tem como engolir... Cara-de-pau!
E o PS é que há uma casa habitada entre o prédio recém-construído e a casa velha. Imagina o que esses moradores não estão passando...quer quanto?
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Obrigado obrigado
Após o período de hibernação intelectual, volto a anotar aquilo que reflito.
À convite de uma amiga, comecei a pensar sobre o famoso "obrigado". Foi então que resolvi, a partir da constatação do duplo sentido desta palavra, tecer um comentário sobre o duplo sentido da educação.
Todos os dias, o dia todo, nos vemos circundados de jeitos e trejeitos que não nos são próprios; são coletivos, apreendidos para o bem-estar social.
Em casa, a educação se confunde com boas maneiras e, na rua, as boas maneiras se confundem com as maneiras que outros consideram boas. É frequente você se pescar numa atitude impensada, gerada pelo inconsciente coletivo. Se você segura a porta para alguém, é natural que você ouça "obrigado", ou que você agradeça se ocorrer o contrário. É uma educação por osmose.
Muito longe da seleção natural de Darwin, o ser humano se aproria de símbolos e regras para possibilitar a sobreposição e a predação uns dos outros. O Capital e a Moral (além, claro, de Deus) são duas ferramentas importantíssimas para a manuntenção desse equilíbrio social desigual. Aquele que não tem educação regular (ensino) é logo posto a prova e, por meio do Capitalismo, privado de bem-estar material; aquele outro, que não assimilou aquela citada educação por osmose, ou seja, o mal-educado, é posto a prova não uma ou outra vez, mas sim todos os dias, por meio da Moral social vigente em cada canto do mundo. Se ele não cumprir aquilo que se espera dele como um cidadão "educado", é marginalizado gradativamente, cada vez numa escala maior.
Durkheim chamou isso de coerção social. A sociedade pressiona o indivíduo para que ele se adeque ao seu modo de ser. Indo além, pensemos também que o indivíduo, além de um ser social, é um ser live para mudar aquilo que lhe convém mudar dentro da sociedade, o que lhe permite subverter a Moral se assim desejar. E assim que devemos ser, na minha opinião: formadores de uma consciência capaz de subverter essa Moral amputadora de desejos.
Sem mais delongas. Quero só registrar aqui, o profundo incômodo que sinto quando percebo que as pessoas não enxergam que há outras possibilidades de se relacionar com seus desconhecidos (e mesmo com seus conhecidos) sem usar: sorrisos amarelos, responder "sei, sei", antes mesmo da pessoa terminar de falar, responder que entendeu sem entender etc, etc, etc.
Esse é o problema da educação por osmose, a Moral; sempre leva a pessoa a ser mais rasa e cínica do que ela é de verdade. É a generalização das relações.
Comecei refletindo sobre o "obrigado" obrigado. A obrigação de estar proliferando essa educação por osmose.
À convite de uma amiga, comecei a pensar sobre o famoso "obrigado". Foi então que resolvi, a partir da constatação do duplo sentido desta palavra, tecer um comentário sobre o duplo sentido da educação.
Todos os dias, o dia todo, nos vemos circundados de jeitos e trejeitos que não nos são próprios; são coletivos, apreendidos para o bem-estar social.
Em casa, a educação se confunde com boas maneiras e, na rua, as boas maneiras se confundem com as maneiras que outros consideram boas. É frequente você se pescar numa atitude impensada, gerada pelo inconsciente coletivo. Se você segura a porta para alguém, é natural que você ouça "obrigado", ou que você agradeça se ocorrer o contrário. É uma educação por osmose.
Muito longe da seleção natural de Darwin, o ser humano se aproria de símbolos e regras para possibilitar a sobreposição e a predação uns dos outros. O Capital e a Moral (além, claro, de Deus) são duas ferramentas importantíssimas para a manuntenção desse equilíbrio social desigual. Aquele que não tem educação regular (ensino) é logo posto a prova e, por meio do Capitalismo, privado de bem-estar material; aquele outro, que não assimilou aquela citada educação por osmose, ou seja, o mal-educado, é posto a prova não uma ou outra vez, mas sim todos os dias, por meio da Moral social vigente em cada canto do mundo. Se ele não cumprir aquilo que se espera dele como um cidadão "educado", é marginalizado gradativamente, cada vez numa escala maior.
Durkheim chamou isso de coerção social. A sociedade pressiona o indivíduo para que ele se adeque ao seu modo de ser. Indo além, pensemos também que o indivíduo, além de um ser social, é um ser live para mudar aquilo que lhe convém mudar dentro da sociedade, o que lhe permite subverter a Moral se assim desejar. E assim que devemos ser, na minha opinião: formadores de uma consciência capaz de subverter essa Moral amputadora de desejos.
Sem mais delongas. Quero só registrar aqui, o profundo incômodo que sinto quando percebo que as pessoas não enxergam que há outras possibilidades de se relacionar com seus desconhecidos (e mesmo com seus conhecidos) sem usar: sorrisos amarelos, responder "sei, sei", antes mesmo da pessoa terminar de falar, responder que entendeu sem entender etc, etc, etc.
Esse é o problema da educação por osmose, a Moral; sempre leva a pessoa a ser mais rasa e cínica do que ela é de verdade. É a generalização das relações.
Comecei refletindo sobre o "obrigado" obrigado. A obrigação de estar proliferando essa educação por osmose.
terça-feira, 9 de março de 2010
Nikit City Stories apresenta:
O Dia do Terror:
Uma feijoada comemorativa de um chá de panela, foi lá que tudo aconteceu.
O dia estava ensolarado, os amigos felizes, bebendo, comendo e dançando. Após a comilança, a noite caia e as nuvens negras galopavam com pressa no céu. Não tardou uma latinha de cerveja para o céu azul dar lugar ao exército negro acima de nós. Alguns dizem que esse foi um sinal, e que dali em diante tudo já estava predestinado. Quem sou eu pra dizer...
Depois de muita festa resolvi deitar-me num dos quartos. Estava quieto, quase caindo nos ermos cantos da mente, fugindo da razão. De repente, num susto e num pulo, ouvi do lado de fora do corredor:
-Vam'bora!! que que tem aqui?! vam'bora!
-Calma moço, só tem estudante aqui, num tem nada de valor na casa...
Meu coração correu! Olhei pela janelinha da porta do corredor e vi apenas, como num enquadramento feito com duas mãos, dois amigos de mão para cima, um pertinho do outro. "Pronto! estão assaltando a casa, não acredito! que isso, que viagem" - aí, olho novamente e os vejo rindo. "Ah, que susto, é só brincadeira", e resolvo sair. Vou colocar a mão na porta, e sair do quarto quando ouço do outro lado da parede:
-Bora porra, tira logo da tomada, que que tem mais por aqui?
e do outro lado, na porta para o corredor, ouvia outras vozes:
-Moço, acalma ele lá, ele tá nervoso, tem mulheres ai, não tem por que machucar...
Nesse meio tempo eu tranquei a porta e voltei a deitar, quietinho, sem mover um músculo sequer. Só ouvindo e imaginando filme de terror protagonizado pelos meus amigos.
No final dessa loucura, ouvi da janelinha, aquela do corredor, a ideia que mexeu e vai ficar comigo pra sempre, enquanto eu quiser lutar pelo bem:
-Então, ninguém vai dar queixa não né, não exculachei ninguém, exculachei? Não exculachei, não xinguei...Isso aqui é nosso trabalho, nossa correria. Vocês têm pai têm mãe, têm oportnuidade, têm dinheiro. A gente não tem oportunidade, temos que fazer isso, é nosso ganha pão, nosso trabalho tá ligado, nossa correria.
E outro completou:
-Vai, dinheiro e celular, coloca aqui todo mundo!
...
...
Saí do quarto e vi as caras dos meus amigos. Depois me contaram o que eles viram. Sorte que eu só ouvi.
Uma feijoada comemorativa de um chá de panela, foi lá que tudo aconteceu.
O dia estava ensolarado, os amigos felizes, bebendo, comendo e dançando. Após a comilança, a noite caia e as nuvens negras galopavam com pressa no céu. Não tardou uma latinha de cerveja para o céu azul dar lugar ao exército negro acima de nós. Alguns dizem que esse foi um sinal, e que dali em diante tudo já estava predestinado. Quem sou eu pra dizer...
Depois de muita festa resolvi deitar-me num dos quartos. Estava quieto, quase caindo nos ermos cantos da mente, fugindo da razão. De repente, num susto e num pulo, ouvi do lado de fora do corredor:
-Vam'bora!! que que tem aqui?! vam'bora!
-Calma moço, só tem estudante aqui, num tem nada de valor na casa...
Meu coração correu! Olhei pela janelinha da porta do corredor e vi apenas, como num enquadramento feito com duas mãos, dois amigos de mão para cima, um pertinho do outro. "Pronto! estão assaltando a casa, não acredito! que isso, que viagem" - aí, olho novamente e os vejo rindo. "Ah, que susto, é só brincadeira", e resolvo sair. Vou colocar a mão na porta, e sair do quarto quando ouço do outro lado da parede:
-Bora porra, tira logo da tomada, que que tem mais por aqui?
e do outro lado, na porta para o corredor, ouvia outras vozes:
-Moço, acalma ele lá, ele tá nervoso, tem mulheres ai, não tem por que machucar...
Nesse meio tempo eu tranquei a porta e voltei a deitar, quietinho, sem mover um músculo sequer. Só ouvindo e imaginando filme de terror protagonizado pelos meus amigos.
No final dessa loucura, ouvi da janelinha, aquela do corredor, a ideia que mexeu e vai ficar comigo pra sempre, enquanto eu quiser lutar pelo bem:
-Então, ninguém vai dar queixa não né, não exculachei ninguém, exculachei? Não exculachei, não xinguei...Isso aqui é nosso trabalho, nossa correria. Vocês têm pai têm mãe, têm oportnuidade, têm dinheiro. A gente não tem oportunidade, temos que fazer isso, é nosso ganha pão, nosso trabalho tá ligado, nossa correria.
E outro completou:
-Vai, dinheiro e celular, coloca aqui todo mundo!
...
...
Saí do quarto e vi as caras dos meus amigos. Depois me contaram o que eles viram. Sorte que eu só ouvi.
3º ano = confusão
Eu vivo dizendo que o 3º ano é muitas coisas: uma fase da vida, um jeito de pensar, um estilo de vida, um estado de espiríto etc.
Pois outro dia, após inúmeras tentativas de uma explicação óbvia, me veio à frente, uma demonstração exemplar do efeito profundo que o 3ª do ensino médio, o fatídico ano do vestibular, exerce nas cabeças confusas dos vestibulandos.
Eu estava lá na lapa com o Lourenço, quando encontrei umas amigas mais novas, que estão justamente nesse ano tão importante para o sistema educacional brasileiro.
Daí, elas, que já estavam mais pra lá do que eu, conversavam sobre tudo comigo e trocavámos ideias diversas, muito, muito longe do vestibular. Foi quando perguntei a uma delas, sobre o resto da noite:
- E aí, vai fazer o que?
e ela responde sem pestanejar:
-Comunicação na UFRJ, Artes Cênicas na UNIRIO e acho que Cinema na UFF! Você tá fazendo Geografia né?
Eu falei - é...- ri dela e fiquei pensando...
Pois outro dia, após inúmeras tentativas de uma explicação óbvia, me veio à frente, uma demonstração exemplar do efeito profundo que o 3ª do ensino médio, o fatídico ano do vestibular, exerce nas cabeças confusas dos vestibulandos.
Eu estava lá na lapa com o Lourenço, quando encontrei umas amigas mais novas, que estão justamente nesse ano tão importante para o sistema educacional brasileiro.
Daí, elas, que já estavam mais pra lá do que eu, conversavam sobre tudo comigo e trocavámos ideias diversas, muito, muito longe do vestibular. Foi quando perguntei a uma delas, sobre o resto da noite:
- E aí, vai fazer o que?
e ela responde sem pestanejar:
-Comunicação na UFRJ, Artes Cênicas na UNIRIO e acho que Cinema na UFF! Você tá fazendo Geografia né?
Eu falei - é...- ri dela e fiquei pensando...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Computador, cabeei!
Nessa nova Era, cheia de inovações tecno-científicas, contextualizadas numa sociedade expressa e corrida, uma relação fundamental se trona frágil e cetas vezes superficial. A educação feita em casa, pelos pais, está se defasando em outros meios de contato com as crianças.
A necessidade de babás se torna mais frequentes, enquanto os pais trabalham fora; porém mesmo quando estão em casa, a relação não se torna plena, até mesmo pelo costume de a criança - ou jovem - lidar constatemente com a máquina.
Cada vez mais, o computador é utilizado como educador, ou meramente como uma fuga.
As marcas lançam máquinas e programas para "atender" - ou seduzir - esse mercado que, inocentemente, enxerga apenas o lado bom, do momento, da brincadeira e praticidade. Porém cabe aos pais, decidir até que ponto essa dependência diária do computador é salutar para a formação cognitiva e social da criança, embora a partir de certa idade já se torna responsabilidade também de cada um, perceber as diversas implicações negativas do uso intensivo da máquina.
Os avanços do homem tecnófilo que tanto ajudam a acomodá-lo, se mostra exagerado nessa situação, e, o comodismo (da praticidade) que "vem para colaborar", acaba atrasando e traindo seu objetivo: o computador atrofia o conhecimento do homem pelo homem; não há olho no olho. Imagine a dificuldade do jovem que cresceu de cara para a tela, isolado num mundo fantástico, de compreender a maldade, a perspicácia embutida no ser humano.
A necessidade de babás se torna mais frequentes, enquanto os pais trabalham fora; porém mesmo quando estão em casa, a relação não se torna plena, até mesmo pelo costume de a criança - ou jovem - lidar constatemente com a máquina.
Cada vez mais, o computador é utilizado como educador, ou meramente como uma fuga.
As marcas lançam máquinas e programas para "atender" - ou seduzir - esse mercado que, inocentemente, enxerga apenas o lado bom, do momento, da brincadeira e praticidade. Porém cabe aos pais, decidir até que ponto essa dependência diária do computador é salutar para a formação cognitiva e social da criança, embora a partir de certa idade já se torna responsabilidade também de cada um, perceber as diversas implicações negativas do uso intensivo da máquina.
Os avanços do homem tecnófilo que tanto ajudam a acomodá-lo, se mostra exagerado nessa situação, e, o comodismo (da praticidade) que "vem para colaborar", acaba atrasando e traindo seu objetivo: o computador atrofia o conhecimento do homem pelo homem; não há olho no olho. Imagine a dificuldade do jovem que cresceu de cara para a tela, isolado num mundo fantástico, de compreender a maldade, a perspicácia embutida no ser humano.
Bocejo
Acordar todos os dias não é tarefa fácil, todos sabemos. A rotina é cansativa e nos prende por necessidade; comer, pagar contas, fazer compras, tudo começa com o despertador e uma boooa espreguiçada. O resto do dia está intimamete ligado ao acordar. Uma boa noite de sono é fundamental para acordarmos tranquilos e passarmos o resto do dia com bom-humor, sorrindo à toa e cumprimentando os vizinhos.
O bom-humor, dentro da sociedade rígida e julgadora do séc XXI é como um bocejo: despretencioso e contagiante, impondo-se ao mau-humor que impera. Essa qualidade faz dele o combustível principal de uma boa relação: seja no trabalho ou até num jogo.
Repare: o bem-humorado pode não ser um bom-jogador, mas certamente será mais vituoso, pois será um bom-perdedor e saberá respeitar e quiçá curtir a felicidade dos ganhadores.
O bem-humorado tem maior chance de subir na vida; o sorriso e o desapego à melancolia facilitam as ideias, a conversa construtiva e põe a pessoa numa abertura convidativa aos outros, conhecidos ou não!
uuuuaaaaaaaahhhhhhh...
O bom-humor, dentro da sociedade rígida e julgadora do séc XXI é como um bocejo: despretencioso e contagiante, impondo-se ao mau-humor que impera. Essa qualidade faz dele o combustível principal de uma boa relação: seja no trabalho ou até num jogo.
Repare: o bem-humorado pode não ser um bom-jogador, mas certamente será mais vituoso, pois será um bom-perdedor e saberá respeitar e quiçá curtir a felicidade dos ganhadores.
O bem-humorado tem maior chance de subir na vida; o sorriso e o desapego à melancolia facilitam as ideias, a conversa construtiva e põe a pessoa numa abertura convidativa aos outros, conhecidos ou não!
uuuuaaaaaaaahhhhhhh...
...Namarola...
Razão ou Loucura
altura e lagura
anarquia ou ditadura
nada existia de onde eu vim.
Eu vim de lá...
Onde importava estar,
crescer
e me alimentar
Vivo agora no centro de um furacão,
vários no chão
ninguém olha pro lado,
ninguém estende a mão.
Nove meses de calmaria,
uma vida de confusão!
altura e lagura
anarquia ou ditadura
nada existia de onde eu vim.
Eu vim de lá...
Onde importava estar,
crescer
e me alimentar
Vivo agora no centro de um furacão,
vários no chão
ninguém olha pro lado,
ninguém estende a mão.
Nove meses de calmaria,
uma vida de confusão!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O Alien
Alienação:
a.li.e.na.ção
sf (lat alienatione) 1 Ação ou efeito de alienar; alheação. 2 Cessão de bens. 3 Desarranjo das faculdades mentais. 4 Arrebatamento, enlevo, transporte. 5 Indiferentismo moral, político, social ou mesmo apenas intelectual. Antôn (acepção 5): engajamento, participação. A. mental: loucura.
Em 4010, arqueólogos encontraram vestígios do que seria a moradia de um ser que viveu há cerca de mil anos antes. Um ser que parecia uma evolução do homem, algo parecido com o homo sapiens sapiens, mas que possuía traços até então decohecidos: dedos grandes, olhos grandes e cabeção.
O tempo passou, novas descobertas...até que um celébre arqueólogo descobiriu uma máquina muito difundida entre aqueles seres, que ele chamou de computador. Com as pesquisas ele percebeu que o computador era indispensável a vida deles.
O tempo passou, novas descobertas...até que um celébre biólogo retomou a teoria da evolução de Calvin, que se consistia no processo de Seleção Natural.
Pronto, foi só juntar o tico e o teco e a ciência percebeu que os "novos seres" eram meramente uma evolução do homo sapiens sapiens provindo da Seleção Natural. Estava explicado. Eles não viviam sem o computador, logo, sobreviveram aqueles que tinham mais facilidade para com ele.
Os dedos, segundo descobriram, servia para teclar, ou digitar, como a ciência chamou; os olhos grandes serviam para aturar horas a fio em frente a máquina sem causar prejuízos; o cabeção, como foi consenso pelo corpo científico, servia para armazenar as trocentas informações que a máquina passava ao mesmo tempo sem dar curto circuito no cérebro das criasturas. O corpo deles era uma verdadeira máquina para a máquina computador. Viviam disso.
Esse processo de evolução interessantíssimo observado pelos cientistas de diversas áreas foi chamado, após muita discussão e finalmente consenso, de ALIENAÇÃO. Pois está claro, a transformação de homo sapiens, para o que eles chamaram homo aliens.
Alienação em 4010:
1 Processo evolutivo de transformação específica (de espécie); de homo sapiens sapiens (homem) para homo aliens, ou alienígena.
Pensemos! Não nos deixemos evoluir pela máquina! não alienemo-nos!
a.li.e.na.ção
sf (lat alienatione) 1 Ação ou efeito de alienar; alheação. 2 Cessão de bens. 3 Desarranjo das faculdades mentais. 4 Arrebatamento, enlevo, transporte. 5 Indiferentismo moral, político, social ou mesmo apenas intelectual. Antôn (acepção 5): engajamento, participação. A. mental: loucura.
Em 4010, arqueólogos encontraram vestígios do que seria a moradia de um ser que viveu há cerca de mil anos antes. Um ser que parecia uma evolução do homem, algo parecido com o homo sapiens sapiens, mas que possuía traços até então decohecidos: dedos grandes, olhos grandes e cabeção.
O tempo passou, novas descobertas...até que um celébre arqueólogo descobiriu uma máquina muito difundida entre aqueles seres, que ele chamou de computador. Com as pesquisas ele percebeu que o computador era indispensável a vida deles.
O tempo passou, novas descobertas...até que um celébre biólogo retomou a teoria da evolução de Calvin, que se consistia no processo de Seleção Natural.
Pronto, foi só juntar o tico e o teco e a ciência percebeu que os "novos seres" eram meramente uma evolução do homo sapiens sapiens provindo da Seleção Natural. Estava explicado. Eles não viviam sem o computador, logo, sobreviveram aqueles que tinham mais facilidade para com ele.
Os dedos, segundo descobriram, servia para teclar, ou digitar, como a ciência chamou; os olhos grandes serviam para aturar horas a fio em frente a máquina sem causar prejuízos; o cabeção, como foi consenso pelo corpo científico, servia para armazenar as trocentas informações que a máquina passava ao mesmo tempo sem dar curto circuito no cérebro das criasturas. O corpo deles era uma verdadeira máquina para a máquina computador. Viviam disso.
Esse processo de evolução interessantíssimo observado pelos cientistas de diversas áreas foi chamado, após muita discussão e finalmente consenso, de ALIENAÇÃO. Pois está claro, a transformação de homo sapiens, para o que eles chamaram homo aliens.
Alienação em 4010:
1 Processo evolutivo de transformação específica (de espécie); de homo sapiens sapiens (homem) para homo aliens, ou alienígena.
Pensemos! Não nos deixemos evoluir pela máquina! não alienemo-nos!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Criânsias e Experiências
Outro dia lá na EDEM, eu ia projetar um filme chamado "Coraline" para o 4º ano, antiga 3ª série - 8, 9 anos.
Pois estava eu lá sentado pronto para começar, apenas esperando as crianças entrarem e se acalmarem. De repente um moleque, com algum grau de altismo e um alto grau de criatividade, começou a abaixar o short! do meu lado! e eu, como educador e responsável disse "Põe esse short moleque! tu não tá em casa, tu já é grande, vê se tem alguém sem calça aqui..." e todas essas coisas que quem foi aluno conhece. Ele me respondeu naturalmente, sem pestanejar "Monstro não usa roupa!" - MONSTRO NÃO USA ROUPA! - o que eu ia fazer diante disso? ia dizer a ele que não era monstro, ia usar a força...não tinha o que fazer além de rir! e ele continuou, tirou a cueca e ficou lá, peladão na sala, deitado de bunda pra cima, e eu dizendo "ei moleque, sai dai, todo mundo te vendo pelado, tu com o piru no chão sujo", tentando ao menos garantir a saúde do monstro. Nesse meio tempo a turma toda já tava gargalhando, apontando, gritando, enfim!
Entra a professora e vê tudo. Entende que não é dizendo a ele que ele não é um monstro que iria controlar a situação...afinal ele é um monstro, se ele quer ser...é criança, quem dirá que não é?!
Pois ela diz então "quer ficar pelado? então vai ficar pelado o dia inteiro, vou guardar sua roupa lá na sala!" Daí eu achei, iiiih, agora ele vai começar a gritar, querer pegar a roupa...que naaada!! o moleque continuou tranquilão, com o bingulim balangando, todo mundo olhando e ele nem aí. Daí a professora saiu e ele foi atrás, pra ela não ligar pro pai...
A gente cresce, "amadurece" e esquece a pureza, nega a criatividade com medo ser apontado, com medo não ser normal, de não estar na norma. Norma essa que foi forjada senão pelos outros. Façamos das normas, as nossas criatividades, as nossas liberdades e vontades verdadeiras, puras. Sejamos por fim, todos grandes monstros! com ou sem roupa.
Pois estava eu lá sentado pronto para começar, apenas esperando as crianças entrarem e se acalmarem. De repente um moleque, com algum grau de altismo e um alto grau de criatividade, começou a abaixar o short! do meu lado! e eu, como educador e responsável disse "Põe esse short moleque! tu não tá em casa, tu já é grande, vê se tem alguém sem calça aqui..." e todas essas coisas que quem foi aluno conhece. Ele me respondeu naturalmente, sem pestanejar "Monstro não usa roupa!" - MONSTRO NÃO USA ROUPA! - o que eu ia fazer diante disso? ia dizer a ele que não era monstro, ia usar a força...não tinha o que fazer além de rir! e ele continuou, tirou a cueca e ficou lá, peladão na sala, deitado de bunda pra cima, e eu dizendo "ei moleque, sai dai, todo mundo te vendo pelado, tu com o piru no chão sujo", tentando ao menos garantir a saúde do monstro. Nesse meio tempo a turma toda já tava gargalhando, apontando, gritando, enfim!
Entra a professora e vê tudo. Entende que não é dizendo a ele que ele não é um monstro que iria controlar a situação...afinal ele é um monstro, se ele quer ser...é criança, quem dirá que não é?!
Pois ela diz então "quer ficar pelado? então vai ficar pelado o dia inteiro, vou guardar sua roupa lá na sala!" Daí eu achei, iiiih, agora ele vai começar a gritar, querer pegar a roupa...que naaada!! o moleque continuou tranquilão, com o bingulim balangando, todo mundo olhando e ele nem aí. Daí a professora saiu e ele foi atrás, pra ela não ligar pro pai...
A gente cresce, "amadurece" e esquece a pureza, nega a criatividade com medo ser apontado, com medo não ser normal, de não estar na norma. Norma essa que foi forjada senão pelos outros. Façamos das normas, as nossas criatividades, as nossas liberdades e vontades verdadeiras, puras. Sejamos por fim, todos grandes monstros! com ou sem roupa.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O Haiti não é aqui
Outro dia teve um show beneficente no Circo Voador a favor das vítimas lá do Haiti. Daí o ingresso era alimentos, leite e água. Pois bem.
No início do show, assim que eu entrei e olhei para a direita, onde estavam as sacolas com alimentos (na sua maioria, água), vi um cara dando um golão cheio de desejo numa das garrafas. Um cara com a camisa da organização. Será que ele comprou aquela água? Ou será que ele é haitiano?
No fim do show, os meninos de rua da lapa começaram a saquear os alimentos. Óóóó!! que surpresa! como ninguém tinha pensado nisso! as pessoas começaram a se mobilizar pra retirar as sacolas dali e evitar que roubassem. Evitar que nossos vizinhos, vítimas diretas do nosso modo de vida, do nosso egoísmo, comessem, em favor de garantir (OU NÃO) a chegada desses alimentos até a boca dos haitianos.
Quando será que os mendigos da lapa merecerão um show beneficente?
O Haiti, infelizmente, não é aqui.
No início do show, assim que eu entrei e olhei para a direita, onde estavam as sacolas com alimentos (na sua maioria, água), vi um cara dando um golão cheio de desejo numa das garrafas. Um cara com a camisa da organização. Será que ele comprou aquela água? Ou será que ele é haitiano?
No fim do show, os meninos de rua da lapa começaram a saquear os alimentos. Óóóó!! que surpresa! como ninguém tinha pensado nisso! as pessoas começaram a se mobilizar pra retirar as sacolas dali e evitar que roubassem. Evitar que nossos vizinhos, vítimas diretas do nosso modo de vida, do nosso egoísmo, comessem, em favor de garantir (OU NÃO) a chegada desses alimentos até a boca dos haitianos.
Quando será que os mendigos da lapa merecerão um show beneficente?
O Haiti, infelizmente, não é aqui.
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